quinta-feira, 15 de maio de 2008

Humildade

Senhor, fazei com que aceite
minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter e
se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dói, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
minha terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo de meu fogão de taipa,
e acender eu mesma, o fogo alegre
da minha casa na manhã de um novo
dia que começa.

Cora Coralina

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